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COMO SOBREVIVER NA CRISE!


25/11/2015

Como usar bem o 13º salário?

 

De acordo com levantamento do DIEESE, até dezembro serão injetados R$ 173 bilhões na economia brasileira por conta do bom e velho 13º salário. Que esse dinheirinho extra no fim do ano é “uma mão na roda” todo mundo sabe, mas tem gente que se empolga tanto com o “poder de consumo” aumentado que acaba se complicando e transformando as alegrias do fim do ano velho em 12 penosos meses de “via sacra” no ano que começa. Sendo assim, se você quer aproveitar seu 13º salário da melhor maneira possível, não deixe de conferir as dicas seguintes.

O que é o 13º salário? Entender a natureza do 13º salário é importante e nos ajuda a utilizá-lo de maneira mais saudável. Embora também seja chamado de Gratificação Natalina o 13º não tem nada de filantropia ou de generosidade. Em termos econômicos o 13º é um tipo de salário indireto. Na prática é como se a cada mês trabalhado o patrão deixasse de pagar ao funcionário um pedacinho de seu salário e fosse juntando para pagar tudo de uma vez no fim do ano. Portanto, o 13º salário nada mais é do que uma poupança compulsória (obrigatória) do trabalhador e o seu uso deve corresponder ao uso que se faria de uma poupança duramente construída ao longo de 12 meses.

A ideia de fundo nos países em que existe 13º salário (sim, o 13º salário não existe no mundo inteiro) é garantir que o trabalhador tenha condições de arcar com as despesas aumentadas do final do ano e do começo do ano seguinte. Portanto, em regra, é para isso que o 13º serve: para bancar a ceia de natal, as viagens, os presentes e (importante) para ajudar a pagar os impostos do início do ano (IPTU, IPVA, taxas municipais, etc.). Dito isso, se parássemos por aqui e se as pessoas utilizassem o 13º para aquilo que foi pensado já teríamos evitado inúmeros problemas financeiros.

Entretanto, como o mundo não é “cor de rosa”, é muito comum que ao final de cada ano, em função do descontrole do orçamento ou mesmo dos imprevistos da vida, muitas pessoas tenham acumulado dívidas e aí o 13º funciona como uma “carta na manga” para ajudar a colocar a vida financeira em ordem.

Finalmente, considerando o atual momento de crise econômica, o 13º salário pode servir para criar uma pequena reserva de proteção financeira, ajudando a lidar com possíveis problemas que a crise pode trazer no próximo ano, como atrasos salariais, perda do poder de compra em função da inflação e, no pior dos mundos, a perda do emprego.

Para facilitar, siga os quatro passos abaixo e faça o melhor proveito possível desse dinheiro “salvador” que é o 13º salário:

1º Passo – Pague suas dívidas Utilize o 13º para quitar as dívidas. Pague primeiro as contas que têm um custo de juros mais elevado. Como estamos vivendo um período de crise econômica grave, é bom pagar também aquelas parcelas planejadas que não causam descontrole financeiro. Agindo dessa maneira, você garante um orçamento mais equilibrando e menos dores de cabeça em 2016.

2º Passo – Pague os impostos de janeiro Se depois de pagar as dívidas sobrar algum dinheiro, separe o valor necessário para pagar os impostos de início de ano (IPTU, IPVA, etc.). Geralmente, são concedidos descontos significativos quando estes tributos são pagos à vista. Utilize os recursos do 13º para isso, evite parcelas e garanta um orçamento mensal mais tranquilo.

3º Passo – Faça uma poupança Se mesmo pagando as contas e quitando os impostos ainda sobrar algum dinheiro, separe 50% do valor que sobrar como uma “provisão para tempos difíceis”. Essa poupancinha funcionará como margem de manobra caso surjam imprevistos no ano que começará. Esta atitude de precaução é importante para a saúde financeira mesmo em tempos de paz econômica, em tempos de crise torna-se indispensável.

4º Passo – “Torre” o que sobrar Parabéns, se você chegou até aqui provou quem tem disciplina e compromisso com sua tranquilidade financeira. Se tudo deu certo, ainda sobrou algum dinheirinho para “torrar”, é seu direito! Sei que a ideia não é tão “glamorosa”, mas é com esse tantinho de dinheiro que sobrou que você deve “se virar” para bancar as despesas de fim de ano. É com essa sobra que você deverá comprar os presentes, montar a ceia, enfim “entrar no clima de festas”.

Atenção! Neste final de ano, marcado pelo aprofundamento da crise econômica, você deve fugir de parcelas como o diabo foge da cruz. De nada adiantará a administração do 13º salário se você sacrificar 2016 por conta das prestações de consumo compulsivo de fim de ano, nada disso! Eu sei que é chato, mas “momentos de crise”, embora sejam mesmo tempos de vacas magras, são também oportunidades para refletir e rever conceitos e, se você reparar bem, perceberá que as coisas que realmente importam na vida não custam nada. Portanto, ainda que os presentes tenham que ser mais simples e mesmo que ceia precise ser mais modesta, faça deste fim de ano em crise a oportunidade para reaproximar a família, deixar desavenças de lado e presentear pessoas queridas com paz e perdão.

Um feliz e santo natal e um prospero ano novo, sem sustos financeiros!

LUIZ FERNANDO ALVES ROSA - Economista / Técnico DIEESE Subseção Federação da Saúde SP

 
 
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