A Conferência Internacional do Trabalho do Centenário começou nesta segunda-feira (10) na sede da ONU em Genebra, com o chefe da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Guy Ryder, convocando centenas de delegados de todo o mundo a “construir um futuro do trabalho com justiça social para todosâ€.Â
O diretor-geral da OIT disse que, com a possÃvel adoção de uma declaração histórica voltada para o futuro, é hora de “dizer ao mundo que temos confiança, propósito comum, vontade e meios†para continuar a fazer da justiça social uma prioridade absoluta.Â
“Faremos isso porque o trabalho não é uma mercadoria. Nós o faremos, porque as condições de trabalho com injustiça, dificuldades e privações colocam em risco a paz do mundoâ€, disse ele aos mais de 5 mil delegados e dezenas de lÃderes mundiais presentes.Â
A 108ª Conferência Internacional do Trabalho, muitas vezes apelidada de “parlamento mundial†do movimento trabalhista, ocorre no ano do centenário da OIT.Â
“O desafio que define esta conferência é o fato de que o centenário da OIT coincide com o processo mais profundo e transformador já visto no mundo do trabalhoâ€, disse Ryder.Â
“Não há nada nessas mudanças que questione a relevância do mandato da OIT ou diminua sua importânciaâ€, disse ele, acrescentando que, ao contrário, tais transformações aumentam a relevância da Organização.Â
Em uma reunião na sede da ONU em Nova Iorque em abril, o chefe das Nações Unidas, António Guterres, observou que a OIT tem desempenhado “um papel central na luta pelo progresso social†ao longo de sua história, como membro mais antigo do Sistema ONU.Â
Como a economia digital opera em um mundo sem fronteiras, ele enfatizou que “mais do que nuncaâ€, as instituições internacionais em geral “devem desempenhar um papel vital na definição do futuro do trabalho que queremosâ€.Â
Ryder disse que uma declaração focada na justiça social para o futuro era necessária porque “a liberdade de associação e expressão é essencial para o progresso sustentadoâ€.Â
“Faremos isso juntos porque a pobreza em qualquer lugar é um perigo para a prosperidade em todos os lugaresâ€, acrescentou o chefe da OIT. “E faremos isso porque o fracasso de qualquer nação em adotar condições humanas de trabalho obstrui outras nações que desejam fazê-loâ€.
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Presidente da Assembleia Geral defende trabalho decente
A presidente da Assembleia Geral da ONU, Maria Fernanda Espinosa, também discursou na cerimônia de abertura da conferência em Genebra, citando as palavras do primeiro diretor-geral Albert Thomas, que descreveu a OIT como um “monumento à paz e à justiça socialâ€.Â
Reconhecendo a relevância da OIT para o multilateralismo, ela reiterou a importância do trabalho decente para a implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável e para enfrentar desafios como trabalho infantil, trabalho forçado e escravidão contemporânea.Â
Ela acrescentou que o trabalho decente e a igualdade de gênero são passos cruciais para erradicar a pobreza e reduzir as desigualdades dentro e entre os paÃses.Â
Aproximadamente 2 bilhões de pessoas dependem da economia informal para sobreviver e 780 milhões de trabalhadores vivem na pobreza.Â
Segundo a OIT, em 2016, o mundo tinha 24,9 milhões de pessoas em situação de trabalho forçado. Desse total, 16 milhões foram exploradas no setor privado, em áreas como trabalho doméstico, construção ou agricultura. As mulheres e meninas são desproporcionalmente afetadas pelo trabalho forçado, de acordo com a Organização.
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Fonte: ONU Brasil