
Quero começar esse texto com um questionamento.
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Você já parou para pensar que precisa de um profissional da enfermagem desde o seu nascimento até a hora em que vai fechar os olhos em seu leito de morte?
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Já se deu conta que a enfermagem perpassa todas os ciclos de sua vida, sempre cuidando para que você esteja bem, amparado, assistido, sempre aliada a ciência?Â
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Os enfermeiros, técnicos de enfermagem, auxiliares e parteiras são profissionais indispensáveis, que durante a pandemia, mais uma vez, provaram o seu valor e a sua importância, mas que, infelizmente, não são valorizados e não têm o reconhecimento que merecem.
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São trabalhadores que há mais de 50 anos lutam para ter um piso salarial da categoria, um piso que traga uma remuneração justa para milhões de profissionais da enfermagem brasileira.
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Leia também: STF garante piso para enfermagem pública, mas não privada; mobilização deve seguir
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Para você que chegou aqui e não sabe nada sobre o "Piso da Enfermagem", eu te conto: o piso salarial é a luta de nossas vidas. A luta de mulheres e homens que dedicaram e dedicam suas vidas ao próximo, ao cuidado, à saúde, ao Sistema Único de Saúde (SUS). Enfermeiras e enfermeiros que se dividem entre dois, as vezes três empregos para conseguirem sustentar suas famÃlias com a mÃnima dignidade. Homens e mulheres que quase sempre saem de um plantão para o outro. Pessoas reais, feitas de carne e osso, não heróis como muitos querem nos taxar.
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O que queremos com a implementação do piso não é luxo, nem ostentação. Queremos respeito, justiça e valorização de uma categoria tão sofrida e que está exaurida, fÃsica e mentalmente.
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O piso é Lei, Lei 14.434/2022. Temos também duas Emendas Constitucionais promulgadas, inclusive com garantia de orçamento perene, que garante o pagamento. Uma conquista oriunda da luta da própria categoria, que se organizou e buscou o parlamento.
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Sabemos que Lei é para ser cumprida! A regulamentação da Lei do Piso da Enfermagem, definida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) não é o que querÃamos, mas é o que temos hoje. Vale lembrar que não caberia à quele Supremo Tribunal determinar como a legislação deveria ser executada, mas sim declarar ou não a constitucionalidade da Lei.
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Agora, precisamos, como categoria, nos manter unidos.
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Não podemos permitir que o nosso piso, conquistado com muita luta, seja destruÃdo pelos patrões - responsáveis pela proposição da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) que está sendo apreciada pelo STF - que lucram com a exploração e a dor alheia. É hora de união, com as entidades, os fóruns, os sindicatos. Hora da enfermagem brasileira mostrar para que veio.
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:: PMDF repreende com violência manifestação de profissionais da enfermagem na Esplanada ::
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É hora de a população brasileira que, durante a pandemia, foi para as janelas nos aplaudir e agradecer por nosso trabalho incansável e por toda nossa dedicação se juntar à nossa luta. A enfermagem brasileira precisa de você!
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Temos a consciência de que investir no piso da enfermagem é investir no SUS. Não se trata apenas de dar dignidade à uma categoria, mas de segurança e de qualidade na assistência de quem mais precisa!
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O piso é justo e necessário. O piso é nosso! Nenhum direito a menos! Não esqueçam: essa é a luta das nossas vidas e ela ainda não chegou ao fim! Vem com a gente, vem lutar por saúde e dignidade para todos!
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* Dayse Amarilio é enfermeira obstetra, professora e deputada distrital pelo PSB-DF.
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** Este é um artigo de opinião. A visão da autora não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato - DF.
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Fonte: BdF Distrito Federal