
Evento em Campinas reuniu 250 lideranças e debateu temas como justiça tributária, tarifaço dos EUA e fortalecimento do movimento sindical
O Sindsaúde de Jaú e Região marcou presença no seminário “Protagonismoâ€, promovido pela UGT (União Geral dos Trabalhadores) nesta terça-feira (19/08), em Campinas. O encontro reuniu cerca de 250 lideranças sindicais de todo o Estado de São Paulo e discutiu pautas centrais para a classe trabalhadora, como o fim da jornada 6x1, a isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil e a justiça tributária no Brasil.
Representando o sindicato jauense, participaram a presidente Edna Alves, a diretora tesoureira Maria Ivanilde de Araujo Almeida, a secretária Gabriela Ferreira da Cruz e o assessor de comunicação Paulo César Grange.
A mesa de abertura contou com a presença do presidente da Federação da Saúde do Estado de São Paulo, Edison Laércio de Oliveira, do presidente da UGT, Amauri Mortágua, além de dirigentes sindicais de diferentes setores. O prefeito de Campinas, Dário Saadi, também prestigiou o evento.
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Jornada 6x1 em debate
Um dos principais temas do seminário foi a luta pelo fim da jornada 6x1, que obriga trabalhadores a cumprir seis dias de trabalho com apenas uma folga semanal. A socióloga e técnica do Dieese (Departamento Intersindical de EstatÃsticas e Estudos Socioeconômicos), Camila Ikuta, destacou que essa escala provoca desgastes fÃsicos e mentais, prejudica a convivência familiar, limita a qualificação profissional e ainda contribui para acidentes de trabalho e doenças ocupacionais.
Segundo Camila, a redução da jornada pode gerar mais empregos, favorecer o retorno de donas de casa ao mercado de trabalho, além de garantir tempo para o lazer e para os estudos. “O movimento sindical é claro: defendemos o fim da jornada de 6x1 sem redução salarial e sem a implementação de bancos de horasâ€, afirmou.
Atualmente, o Brasil conta com 6,3 milhões de desempregados e 2,8 milhões de desalentados, conforme dados do IBGE de 2025, reforçando a importância da pauta para a retomada do crescimento econômico.
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Projeto de Lei 1087/2025: isenção do IR até R$ 5 mil
Outro ponto de destaque foi o Projeto de Lei 1087/2025, que prevê isenção de Imposto de Renda para trabalhadores que recebem até R$ 5 mil mensais. A proposta, de autoria do governo federal, também estabelece descontos para quem ganha entre R$ 5 mil e R$ 7,3 mil.
Camila Ikuta apresentou cálculos do Dieese que mostram o impacto da medida:
- Um trabalhador com renda de R$ 3.500,00 teria economia anual superior a R$ 530,00;
- Quem recebe R$ 5 mil mensais poderia economizar mais de R$ 4.170,00 por ano.
“Se aprovado, cerca de 26 milhões de brasileiros deixarão de pagar imposto de renda, garantindo mais justiça social e fortalecendo a economia internaâ€, explicou a socióloga. Ela também destacou que os super-ricos pagam, em média, 4% de imposto sobre a renda, enquanto os mais pobres arcam com 9% a 10% de sua renda em tributos, evidenciando a desigualdade do sistema tributário brasileiro.
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Tarifaço dos EUA
O chamado “tarifaço†anunciado pelo governo dos Estados Unidos também foi discutido. Segundo o Dieese, a medida, que impõe tarifas extras a produtos brasileiros, pode afetar até 726 mil empregos caso o paÃs não adote polÃticas de proteção. “O governo brasileiro estuda medidas de redução de impostos e linhas de crédito para mitigar os impactos e preservar postos de trabalhoâ€, destacou Camila.
Sindsaúde como referência
O presidente da Federação da Saúde, Edison Laércio de Oliveira, ressaltou o protagonismo dos sindicatos da saúde na luta pela redução da jornada de trabalho. “O Sindsaúde já conquistou jornadas de 30 e 36 horas semanais em seus acordos coletivos, com folgas, e hoje é referência de vitória para outras categoriasâ€, disse Edison.
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Plebiscito Popular por um Brasil mais Justo
O seminário também reforçou a importância da mobilização social por meio do “Plebiscito Popular por um Brasil mais Justoâ€, que está em andamento em todo o paÃs.
A consulta é organizada por centrais sindicais e movimentos sociais e tem como principal bandeira a eliminação da jornada 6x1, considerada nociva à saúde fÃsica e mental dos trabalhadores, além de injusta do ponto de vista social e familiar.
A votação ocorre de forma online e gratuita, pelo site plebiscitopopular.org.br, e qualquer cidadão pode participar. A expectativa das entidades organizadoras é colher milhões de votos até o fim do ano, criando uma pressão popular legÃtima para que o tema avance no Congresso Nacional.
Além da questão da jornada, o plebiscito também levanta debates sobre justiça tributária e direitos trabalhistas, reforçando o papel da sociedade civil como parte ativa nas mudanças necessárias ao mundo do trabalho.
“O plebiscito é uma forma de dar voz ao povo. Ele mostra ao Parlamento e ao governo que a maioria da população deseja mudanças concretas, como o fim da escala 6x1. É democracia direta aplicada à luta sindicalâ€, disse o presidente da UGT, Amauri Mortágua.
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O “Plebiscito Popular por um Brasil mais Justo†pode ser acessado em: https://plebiscitopopular.org.br/