Dirigentes das principais centrais sindicais estaduais se reuniram nesta terça-feira, na capital paulista, com o ex-ministro Fernando Haddad para apresentar uma avaliação do atual cenário econômico e social do Estado de São Paulo. O encontro permitiu uma troca de informações sobre temas considerados estratégicos para o desenvolvimento do estado, como mercado de trabalho, segurança pública, educação, mobilidade e polÃticas de desenvolvimento econômico.
Durante a reunião, as lideranças sindicais destacaram os desafios enfrentados pelos trabalhadores diante das transformações no mercado de trabalho e da necessidade de fortalecimento das polÃticas públicas voltadas à geração de emprego e renda. O presidente da UGT-SP, Amauri Mortágua, defendeu a criação de uma estrutura governamental dedicada não apenas à geração de empregos, mas também à valorização do trabalho e à promoção de condições laborais mais dignas.
Segundo ele, o crescimento econômico precisa estar acompanhado de polÃticas capazes de garantir proteção social, qualificação profissional e combate à precarização das relações de trabalho.
"São Paulo é o maior centro econômico do paÃs, mas ainda convivemos com desafios importantes relacionados à alta à rotatividade e à qualidade dos postos de trabalho. Precisamos de uma estrutura estatal que tenha como foco não apenas a criação de vagas, mas a valorização do trabalhador e a construção de oportunidades que permitam crescimento profissional e melhoria da qualidade de vida", afirmou Mortágua.
Dados recentes do Instituto Brasileiro de Geografia e EstatÃstica (IBGE) mostram que milhões de brasileiros não têm acesso a direitos trabalhistas e previdenciários. Além disso, o avanço das novas formas de contratação e do trabalho por aplicativos tem ampliado o debate sobre proteção social e regulamentação das relações de trabalho.
Durante o encontro, Fernando Haddad ouviu as demandas apresentadas pelas centrais e analisou o cenário atual do Estado. Entre os temas debatidos estiveram os desafios da educação pública, especialmente após sucessivos cortes orçamentários em áreas estratégicas, além da necessidade de investimentos em qualificação profissional para atender às novas demandas da economia.
Também foram discutidas questões relacionadas à segurança pública. Dados da Secretaria de Segurança Pública apontam crescimento de alguns indicadores criminais em diversas regiões do estado nos últimos anos, especialmente crimes patrimoniais e roubos em grandes centros urbanos, situação que preocupa trabalhadores que dependem diariamente do transporte público para se deslocar até seus locais de trabalho.
Outro tema abordado foi o processo de privatização da Sabesp, considerado por representantes sindicais como uma das principais mudanças estruturais promovidas pelo atual governo estadual. As lideranças manifestaram preocupação com possÃveis impactos sobre a universalização do saneamento, tarifas e qualidade dos serviços prestados à população.
Ao final do encontro, os representantes das centrais reforçaram a importância da participação dos trabalhadores na formulação de polÃticas públicas e defenderam a construção de um modelo de desenvolvimento que combine crescimento econômico, geração de empregos de qualidade, valorização salarial e ampliação dos investimentos em serviços públicos essenciais.
Para os dirigentes sindicais, o fortalecimento do diálogo entre governo, trabalhadores e setor produtivo será fundamental para enfrentar os desafios econômicos e sociais que São Paulo terá pela frente nos próximos anos.












